Paris, 7 janvier 2014

Desenhando com sangue
Desde tempos imemoriais se sabe que seres humanos (humanos, não monstros) morrem e matam por aquilo que dá sentido a suas vidas. Vide as tragédias gregas, Antígona ou Medéia. Veja Abrãao e Isaac. Aliás, é uma crença forte da cultura ocidental, também: nosso mitos fundadores falam disso.
Então quando vamos aprender a diferenciar desrespeito à religião alheia com liberdade de expressão? (Principalmente se envolver gente que deixou claro que não sabe brincar e não desceu para o play.)

Enfim, está na hora de o mundo civilizado entender que Deus é um termo muito mais concreto que liberdade de expressão, coisa essa que vem sido usada frequentemente não para defender ideias mais justas ou transgressoras mas para a ofensa mais gratuita, e que dificilmente fará mártires voluntariamente

Morrer por essa causa certamente não era intenção de nenhuma das vítimas da matança. E continua não sendo algo que mova qualquer um que abra a sua boca ou estojo de pincéis para debochar de crenças alheias: veja aí o caso do escritor, er, polêmico, que já cancelou o lançamento do livro ... que foi justamente a capa da revista. E, adivinhe, o livro fala sobre o quê? 

M.H. cancelou eventos e saiu de Paris, ao invés de ir para a janela gritar suas verdades e morrer por sua grande causa, usar sua liberdade de expressão para ridicularizar os outros, a liberdade de expressão. A covardia e hipocrisia disso tudo enoja tanto quanto a matança em si, em nome de Alá. Hora de pensar a gratuidade e a estupidez da outra parte também.

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